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Papa sobre IA no trabalho: empresas precisam estar preparadas para uma transformação irreversível

A preocupação do papa Leão XIV com os impactos da inteligência artificial no mundo do trabalho reacendeu o debate global sobre a necessidade de empresas e instituições se prepararem para uma transformação considerada irreversível. O assunto está na Encíclica “Magnifica Humanitas”, lançada nesta semana pelo Vaticano, onde o pontífice alerta que a automação e os sistemas inteligentes devem ser implantados com responsabilidade ética e planejamento estratégico para não ampliarem desigualdades sociais nem provocarem desemprego estrutural.

A advogada Glauce Fonçatti, especialista em direito do trabalho e sócia do Escritório Batistute Advogados, concorda quando o papa pondera que é preciso equilibrar os efeitos positivos da IA com os riscos que podem decorrer. “O papa reconhece que a inteligência artificial representa uma das maiores revoluções econômicas desde a industrialização, com potencial para aumentar produtividade, otimizar processos e impulsionar novos modelos de negócio. Ao mesmo tempo, Leão XIV afirma que a adoção acelerada dessas tecnologias exige das organizações uma revisão profunda sobre a forma como lidam com pessoas, competências profissionais e relações de trabalho.”

Para o papa, o avanço da IA não pode ser tratado apenas como um desafio tecnológico, mas como uma questão humana e social. “A encíclica defende que empresas assumam compromisso com a qualificação contínua de trabalhadores, promovam readequação profissional e criem ambientes capazes de integrar inovação e valorização humana. O texto também alerta para o risco de decisões automatizadas ampliarem discriminações e precarizarem vínculos laborais. Daí a importância de que as empresas tenham uma assessoria jurídica e tecnológica especializada”, afirma Glauce.

A especialista afirma que, no documento do papa, o Vaticano dialoga diretamente com uma preocupação crescente no setor produtivo: a necessidade de preparar lideranças e equipes para um cenário em que inteligência artificial, automação e análise de dados estarão presentes em praticamente todas as áreas da economia. “Estudos recentes de consultorias internacionais apontam que profissões serão redefinidas nos próximos anos, exigindo novas habilidades técnicas e comportamentais”, diz.

Nesse contexto, cresce entre empresas a percepção de que adaptação tecnológica deixou de ser diferencial competitivo para se tornar uma questão de sobrevivência. “Organizações que investem em governança digital, capacitação e uso responsável da IA tendem a responder com mais eficiência às mudanças do mercado, enquanto companhias que ignorarem esse movimento podem enfrentar perda de competitividade e dificuldades de retenção de talentos”, pondera a advogada.

Por isso é que, na visão da especialista, ao abordar os impactos da inteligência artificial sobre o trabalho, o papa Leão XIV reforça que inovação e ética não devem caminhar separadamente. “A encíclica propõe que o desenvolvimento tecnológico esteja alinhado à promoção da dignidade humana, à proteção dos trabalhadores e à construção de modelos econômicos mais equilibrados. A mensagem do Vaticano amplia a discussão sobre o futuro do trabalho e coloca empresas, governos e sociedade diante do desafio de construir uma transição tecnológica sustentável e socialmente responsável.”