Ex-primeira-dama reage a falas de tucano e expõe divergência com Flávio Bolsonaro sobre alianças eleitorais no estado.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro criticou publicamente o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao governo do Ceará, e afirmou que a “direita do Ceará está vendida”. A declaração reabre o racha interno no Partido Liberal (PL) e expõe a divergência entre Michelle e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em relação ao palanque eleitoral cearense.

A reação ocorreu na segunda-feira (20), em comentário publicado nas redes sociais. Michelle rebateu declarações dadas por Ciro ao portal Cariri News, nas quais o tucano sinalizou simpatia por outros nomes para a corrida à Presidência — como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e Renan Santos (Missão) —, sem citar o apoio a Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL ao Planalto.

“Choca? Não! Só não viu quem não quis, por causa do velho ‘toma lá, dá cá’. Eu alertei que esse senhor, cujo partido contribuiu para deixar o meu marido inelegível, não daria o seu apoio. Ainda assim, queria os votos dos bolsonaristas. Infelizmente, a direita do Ceará está vendida”, escreveu a ex-primeira-dama.

Racha na família e na base aliada

As divergências em relação ao cenário político no Ceará se arrastam desde o final do ano passado. De um lado, Michelle defende o alinhamento da base bolsonarista à pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo-CE) ao governo estadual.

Por outro lado, a diretriz estabelecida pela articulação de Flávio Bolsonaro prevê o apoio do PL à candidatura de Ciro Gomes no estado. A disputa estratégica já havia gerado atritos públicos entre a ex-primeira-dama e o enteado nas redes sociais.

A crise ganhou novos contornos após Ciro Gomes indicar que seu apoio nacional pode caminhar para outros nomes do campo político. Na entrevista ao veículo local, o tucano afirmou que votaria em Caiado “sem nenhuma dificuldade” e classificou a candidatura de Renan Santos como uma “possibilidade”, deixando em aberto a construção de alianças para o pleito presidencial.