Com ampla vantagem nas pesquisas e um eleitorado preocupado com a segurança pública, o candidato de extrema direita José Antonio Kast deve vencer o segundo turno das eleições presidenciais do Chile neste domingo. Caso o resultado se confirme, ele se tornará o presidente mais conservador do país desde o regime militar de Augusto Pinochet (1973–1990).
Kast enfrenta Jeannette Jara, candidata da coalizão de esquerda que integra o atual governo e filiada ao Partido Comunista. Uma eventual vitória do candidato de direita representaria a mudança política mais significativa no Chile em décadas e reforçaria a tendência recente de avanço de governos conservadores na América Latina, impulsionada por preocupações com criminalidade e migração.
Segundo analistas, a eleição de Kast colocaria no poder o líder mais à direita do país desde o período militar. Apesar disso, especialistas destacam que ele atua dentro das regras democráticas e adota um discurso menos confrontacional do que outros representantes da direita regional.
Aos 59 anos, Kast iniciou sua trajetória política em campanhas locais e foi defensor da permanência de Pinochet no poder durante o plebiscito de 1988. Em 2016, rompeu com a tradicional União Democrática Independente (UDI) e fundou o Partido Republicano, legenda que ganhou protagonismo nos últimos anos.
Os republicanos tiveram papel relevante na segunda tentativa de elaboração de uma nova Constituição no Chile, proposta que acabou rejeitada pela população por ser considerada excessivamente conservadora e polarizadora.
Na campanha presidencial, Kast prometeu empregar militares em áreas com altos índices de criminalidade, reforçar o controle das fronteiras com a construção de barreiras físicas e criar uma força policial especializada para identificar e deportar imigrantes em situação irregular, em sua maioria venezuelanos, segundo dados oficiais.
Apesar do crescimento da direita no Congresso nas eleições legislativas de novembro, o Parlamento segue dividido entre esquerda e direita, o que deve obrigar o próximo presidente a negociar com setores moderados para aprovar projetos e reformas.
O atual presidente, Gabriel Boric, enfrentou dificuldades semelhantes ao governar com um Congresso fragmentado. Sua proposta de substituir a Constituição herdada do período da ditadura também foi rejeitada em votação popular.
Pesquisadores apontam que a expectativa da população é por respostas rápidas, especialmente na área de segurança. Investidores já reagiram ao possível resultado eleitoral, impulsionando uma recuperação dos mercados chilenos ao longo do último ano, baseada na expectativa de políticas mais favoráveis ao mercado.
No primeiro turno, realizado em 16 de novembro, Kast e Jara obtiveram cerca de 25% dos votos cada, com leve vantagem para Jara. A maioria dos demais candidatos era de direita, e a expectativa é que esses votos migrem majoritariamente para Kast no segundo turno.
O candidato populista Franco Parisi, terceiro colocado com pouco menos de 20% dos votos, orientou seus eleitores a votarem em branco. Como o voto é obrigatório, pesquisas indicam que cerca de 20% do eleitorado permanece indeciso, o que mantém alguma incerteza sobre a margem da vitória.
Ainda assim, analistas avaliam que a principal incógnita da eleição é o tom do discurso de Kast após o resultado e sua capacidade de governar com um Congresso dividido.






